O que é que se está a passar com a série do Poirot?
Sim, o que é que se está a passar com a série do Poirot?
Embora não tenha lido todos os livros da Agatha Christie com o famoso detective, contrariamente aos Miss Marple que li todos, há uns que li e reli, os meus preferidos, e este Encontro com a Morte que vi ontem na série, é um dos meus preferidos. Reconheci as personagens mas o guião estava muito rebuscado. A personagem principal, a mãe odiada, é uma das personagens femininas mais arrepiantes da Agatha Christie e aqui estava completamente descaracterizada, muito telenovelística. Além disso, e sem querer estragar o verdadeiro final do livro, o(a) assassino(a) não era nenhum(a) dos(as) mais prováveis, o que dá à história original um interesse acrescido. Aqui na série deram umas voltas e reviravoltas ao guião até se assemelhar a uma telenovela, verdade!, a uma telenovela! Como se os livros da Agatha Christie precisassem de mais exotismos e arabescos para se tornarem interessantes.
Este fenómeno, tornar exótico um produto já de si suficientemente interessante, já o vimos n' Os Tudor, série em que a vida de Henrique VIII é transformada num produto pouco histórico para consumo de massas. Se isto não é uma completa falta de respeito com os consumidores finais, os espectadores, o que será? E já nem digo uma completa falta de respeito com a própria história do país, do povo, etc. e tal, e aqui, neste caso da série do Poirot, uma completa falta de respeito com a autora, Agatha Christie. Quem permite estas amolgadelas culturais?
Aqui também sobre Poirot e a ficção nacional e a preferência do público pelas telenovelas...
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Pequenas alegrias: Miss Marple e Poirot
Agora que a série Life on Mars terminou, que Flashforward está a perder pedalada e Boston Legal regressou a uma temporada anterior, fiquei reduzida à Lie to Me.
É verdade, Life on Mars foi projectado no futuro e em Marte, precisamente. Pode ter sido mais um sonho do protagonista, mas soou muito bem como final da série, ou como introdução de uma sequência. O parzinho também se resolveu, finalmente.
Flashfoward, após uma 1ª temporada cheia de ritmo e suspense, começou nesta 2ª a perder pedalada. Seguir cada uma das personagens, em vez do mosaico das diversas personagens, do puzzle confuso que nos desafiava constantemente a preencher, é um duche de água fria.
E, finalmente, em Boston Legal, voltou-se a uma temporada anterior, em que o Denny Crane ainda é levado a sério e o Alan Shore ainda tem cara de bébé.
Assim, ficou apenas a Lie to Me, à 4ª feira. Aliás, uma série muito útil, como já disse aqui.
Foi, pois, com uma alegria infantil, que descobri as séries Miss Marple e Poirot da Agatha Christie, na RTP Memória, às 3ªs e 5ªs feiras respectivamente. A minha vida social vai-se ressentir.
São estas pequenas alegrias que me animam os dias. Mas a grande alegria, essa, tive-a este fim-de-semana, uma grata surpresa!
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Coisas simples: a chantagem
Das primeiras aprendizagens precoces está a famosa (e embaraçosa) birra. Os pais que cedem a primeira vez a esta estratégia já sabem o que os espera: vendo que funciona, a criança recorrerá de novo a ela para obter aquilo que quer da forma mais fácil (embora menos digna).
A chantagem é esta estratégia na versão adulto imaturo. Se o opositor cede a primeira vez vai ceder próximas vezes porque, uma vez bem sucedido, o chantagista tem ali um filão. É uma estratégia muito primitiva e precoce do desenvolvimento humano, pois é a forma mais fácil e cómoda (embora menos digna) de conseguir o seu objectivo.
É por saber que o chantagista, uma vez bem sucedido nunca desiste, e voltará sempre à carga, que nos livros policiais é eliminado logo no primeiro capítulo. Digamos que é o principal candidato a assassinado.
Há, no entanto, chantagistas inteligentes e outros pouco inteligentes, uns mais elaborados outros mais básicos.
Um exemplo de uma chantagem criativa é a da criada de quarto (Jane Birkin) de uma milionária americana que chantageou o assassino, em frente do próprio Hercule Poirot (Peter Ustinov)! A grande lata! É das chantagens que já vi em livros policiais (e este Morte no Nilo é dos mais emocionantes!) mais arriscadas e ousadas! É claro que a rapariga aparece degolada pouco depois e só então Poirot começa a juntar as peças e a recordar as suas respostas às perguntas que lhe tinha feito.
